» Blog


15/06/2018

“Criamos sociedade viciada no Estado”, diz ministro do STF


“Criamos sociedade viciada no Estado”, diz ministro do STF

Em Londres, Luís Roberto Barroso afirma que Brasil não consegue mais financiar a universidade pública e que instituições devem achar outras fontes de recursos. Ele também diz ser contra convocação de nova constituinte.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse neste sábado (05/05) em Londres que é contra a convocação de uma nova constituinte e que a universidade pública deveria procurar outras formas de financiamento além do estatal.

Ele criticou ainda "a permanente dependência e onipresença do Estado brasileiro". "Qualquer projeto social, econômico e político depende do Estado. Criamos uma sociedade que é viciada no Estado", disse. "Temos que expandir a sociedade civil e reduzir essa dependência em que o Estado se torna mais importante do que a sociedade."

As declarações de Barroso foram feitas na abertura do Brazil Forum UK, na London School of Economics, em Londres. A conferência tem como tema neste ano os 30 anos da Constituição brasileira de 1988. Também tiveram presenças confirmadas no evento a ex-presidente Dilma Rousseff e a pré-candidata à Presidência Marina Silva.

"Autossustentabilidade"

No caso do modelo de universidade pública, Barroso disse que ele "custa caro e dá um baixo retorno para a sociedade".

"O Estado não tem dinheiro suficiente para bancar uma universidade pública com a qualidade que o país precisa. A universidade precisa ser capaz de autossustentabilidade, precisa ser capaz de interlocução, vender projetos para a sociedade, pedir contribuição, obter filantropia. Já há ricos suficientes no país, e eles acabam dando dinheiro para Harvard e Yale. Há um preconceito que precisamos superar", ressaltou.

O discurso de Barroso não foi bem recebido por alguns membros do público da conferência, que chegaram a interromper a fala do ministro. Em outros momentos, alguns espectadores interromperam a palestra com gritos de apoio ao ex-presidente Lula.

À imprensa, Barroso disse que não estava defendendo a "privatização da universidade pública", mas "arrecadar dinheiro". "O que eu disse é que o dinheiro que o Estado brasileiro dá para a universidade não é suficiente para termos universidades competitivas mundialmente. A minha ideia é – sem abrir mão de nenhum centavo que o Estado dá – que a universidade procure a sua própria autossustentabilidade. Pode ser vendendo projetos e serviços para a sociedade, arrecadando recursos de ex-alunos de sucesso e com filantropia. Não falei contra a universidade pública, mas a favor", ponderou.

"Destruição criativa"

Ao comentar a crise política e os escândalos de corrupção, Barroso disse que "o processo civilizatório existe para potencializar o bem e reprimir o mal, mas o sistema político brasileiro faz exatamente o contrário: ele reprime o bem e potencializa o mal". Ele também disse que "a corrupção no Brasil não foi resultado de falhas individuais", mas "resultado de uma corrupção endêmica e sistêmica" de "um pacto oligárquico para o saque e desvio de dinheiro público".

"Há quem se achava imune e não quer ser punido – até consigo entender, já que é da natureza humana. Mas há um lote pior: aqueles que não querem ser honestos nem daqui para a frente, que gostariam de manter tudo como está."

Barroso, no entanto, se mostrou otimista e disse que "o Brasil vive um momento de destruição criativa".

"Há uma tensão no Brasil hoje, entre uma velha ordem e uma nova ordem que quer nascer. Acho que estamos atravessando essa transição", avaliou. "A sociedade deixou de aceitar o inaceitável. Há uma imensa demanda por integridade, idealismo e patriotismo e uma importantíssima reação da sociedade civil contra esse modo natural de se fazer política e negócios. Esse trem já saiu da estação e não volta mais. Acho que estamos na véspera desse futuro que sempre é adiado. Se fizermos ajustes podemos dar uma contribuição muito interessante para a causa da humanidade."

Sobre o aniversário da Constituição, Barroso afirmou que é contra a eventual convocação de uma constituinte, um tema que invariavelmente é citado como uma solução em períodos de crise. "Acho que não devemos desperdiçar o capital político que a Constituição de 1988 representa. Não devemos nos ocupar com uma nova constituinte", disse.

 

 


Veja também:


17/09/2018

» Grupo Diálogos da Longevidade inicia Processo de Planejamento

11/09/2018

» “Entendendo a Reforma Trabalhista e a Terceirização”

10/09/2018

» Gestão Estratégia de Vendas


Comentários: